segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O BARROCO

Música Barroca

Uma mudança marcante no mundo da música se deu no período do movimento barroco, por volta do século XVII. Os ritmos, que até então eram tocados nas orquestras, ganharam novos recursos, acrescentaram-se outros modos, a saber, aproveitaram mais dos modos maiores e menores, conhecidos também como modo jônico e eólio, respectivamente.

Nessa época que a música toma grandes proporções e atinge a igualdade. Os ilustres gênios dessa arte se sobressaem, tornando-a cada vez mais bela. A partir disso, nascem os ritmos instrumentais, tocados por Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach, Domenico Scarlattie outros. A suíte e o concerto surgem juntamente.

A presença de novos tons dentro das escalas diatônicas (escala composta por oito notas), bem como modulações diferentes foram introduzidas, ao contrário do modo antigo, em que eram usados apenas um tom consonante (constante) e idênticos. A partir da influência da música barroca, um novo gênero nasceu: um drama cantado, as notáveis óperas.

No século XVI, vários artistas se reuniram, entre eles músicos, poetas e alguns nobres, na residência de Giovanni di Bardi, também conhecido como Conde de Vernio, para debater acerca da arte. O intuito desse grupo era de buscar inovações no campo musical; foi então que esse grupo formou a Camerata de Fiorentina.

A música passa a ter um acompanhamento, denominado baixo contínuo. Com essa base, os demais músicos poderiam inserir novas notas, a fim de enriquecer a melodia. Dessa forma, haveria mais aproveitamento dos instrumentos e dos cantores.


As principais formas empregadas são binária, ternária (ária da capo), rondó, variações (incluindo o baixo ostinato, a chacona e a passacaglia), ritornello e fuga. Quanto aos tipo de música os mais freqüentes são coral, recitativo e ária, ópera, oratório e cantata, abertura italiana, abertura francesa, tocata, prelúdio coral, suíte de danças, sonata de câmara, sonata de chiesa, concerto grosso e concerto solo.


Nesse período a instrumentação atinge sua primeira maturidade e grande florescimento. Pela primeira vez surgem gêneros musicais puramente instrumentais, como a suíte e o concerto. Nesta época, surge também o virtuosismo, que explora ao máximo o instrumento musical.

Suíte é como se chama o conjunto de movimentos instrumentais dispostos com algum elemento de unidade para serem tocados sem interrupções.

Concerto é uma composição musical escrita para um ou mais instrumentos solistas, cujo acompanhamento pode ser feito por uma orquestra ou um piano. Modernamente o termo tem sido empregado para qualquer espetáculo musical, nos mais diferentes formatos.

O estilo musical da época do movimento barroco trouxe algumas variações, entre elas estão a Monodia, que consiste em estabelecer as linhas de baixo contínuo e a melodia aguda na música e as partes intermediárias; a homofonia, que é o canto com uma variação na voz; as falas mais dramáticas como na ópera; a harmonização entre os vocais e os instrumentos, como nas cantatas.

As notas inégales, do francês, notas desiguais são bastante utilizadas na música barroca e também do Classicismo, onde se usa notas musicais de mesma duração, entretanto, com intervalos diferentes. Hoje, presente no estilo Jazz.

A ária, também utilizada na música barroca, consiste em uma composição de um cantor solista. As árias podem estar inseridas no interior de outras obras mais extensas e eram usadas nas óperas, cantatas e oratórios. Os solistas a utilizavam nas orquestras e elas contavam com mais cantores, formando duetos, tercetos e quartetos.

Os ritornellos, também conhecidos como refrão ou estribilhos são as partes que se repetem na música. Normalmente, a que é para ficar marcada e é usada nas músicas contemporâneas. As notas musicais eram separadas a partir do idioma. Por exemplo, as óperas italianas possuíam maior beleza, devido à suavidade do idioma, ao contrário da germânica.


Os ilustres artistas que revolucionaram a música na arte barroca, se caracterizavam pela excelência com que manejavam seus instrumentos. Eles conseguiam um aproveitamento que rumava para a perfeição de suas canções. Os mestres utilizavam violoncelos, violinos, órgãos, violas, cravos (instrumento semelhante a um piano) e também os pianos.

Surgiram as músicas de câmara, que eram estilos musicais eruditos, em que era utilizada uma pequena quantidade de instrumentos, ou mesmo de vozes, diferentemente dos concertos. A expressão "músicas de câmara" servia para qualquer estilo musical, desde que fosse um número de, no máximo, dez profissionais.

Essas músicas eram tocadas nos palácios, nas pequenas salas, e não contavam sempre com os solistas. Contudo, muitos desses pequenos grupos de músicos eram compostos por trios com pianos, quartetos de cordas ou até mesmo quinteto de sopro. Havia a opção de se usar alguns trios com solos, o que necessitaria de um maestro para reger o grupo.

As sonatas são músicas instrumentais que, no Barroco, eram escritas para os músicos solistas de instrumentos de cordas ou sopro, que decorria acompanhada do baixo contínuo – característica criada na música barroca. Diferente das sonatas do Classicismo que eram utilizadas para solos de pianos e normalmente dividida em dois temas iniciais, um desenvolvimento e mais dois temas finais.

Os principais músicos da arte barroca foram, na passagem entre o século XVI e XVII, na Alemanha, o ilustre Heinrich Schüz, Samuel Scheidt, Michael Praetorius e outros. No século XVIII, Johann Sebastian Bach – um dos maiores músicos da história, George Friedrich Händel. Na Itália, o violinista Antonio Vivaldi, que criou vários concertos, entre eles, o famoso 'As Quatro Estações'.

Isso ocorre graças a uma evolução no que diz respeito à fabricação dos instrumentos. É o caso, por exemplo, do violino, principalmente à partir do final do século XVII quando surge a mitológica Escola de Cremona.

Nesta cidade italiana desenvolveu-se, no período, uma verdadeira indústria artesanal de instrumentos de arcos, com ênfase especial no violino. A primeira oficina dos célebres Amati trouxe importantes mudanças ao instrumento, tornando-o não só mais belo, mas, principalmente, alcançando um timbre mais forte e poderoso. Assim, o cavalete do instrumento tornou-se mais alto, e o ponto ou espelho foi alongado; passou-se a usar cordas mais longas e esticadas. Além de Amati, pertenceu a escola de Cremona o célebre Antonio Stradivarius (1644-1737), cujo sobrenome é quase um sinônimo de violino.

Stradivarius (Stradivari) fez um violino mais comprido, reforçou o corpo e alargou os “ff” (abertura de som), enriquecendo assim ainda mais o timbre. Além dele é importante também destacar o nome do artesão Giuseppe Antonio Guarniere (1687-1745).

A família do violino veio a substituir gradualmente a das violas, e a orquestra foi gradualmente tomando forma, com as cordas constituindo uma seção de peso em sua organização, embora as outras seções não estivessem ainda padronizadas.

O barroco foi a época de máximo desenvolvimento de instrumentos como o cravo e o órgão, mas também surgiram várias peças para grupos pequenos de instrumentos, que iam de três até nove instrumentistas, a chamada música de câmara.
Um traço constante nas orquestras barrocas era o emprego do órgão ou cravo contínuo, preenchendo a harmonia, enriquecendo a tessitura e, de fato mantendo a unidade da orquestra.
Ainda na Itália, Claudio Monteverdi, escritor de óperas e 'pai da ópera', foi o responsável pela difusão e popularidade desse gênero dramático cantado. Outros dois famosos compositores da música barroca são os italianos, Domenico Scarlatti, ícone da música para cravo, e Arcangelo Corelli.

A França também revelou alguns artistas na música barroca e foi Jean-Baptiste Lully foi quem levou o gênero "ópera" para o país. Jean-Philippe Rameau fez algumas obras para cravo e François Couperin foi um autor de peças de teatro de cunho religioso.

Em Portugal e no Brasil, a música barroca se manifestou através de poucos compositores. Antônio José da Silva, conhecido como o Judeu, produziu obras que ganharam as trilhas sonoras de Antonio Teixeira. Os lusitanos, Francisco Antônio de Almeida e João Rodrigues Esteves, desenvolveram o trabalho com as óperas. Carlos Seixas produziu cerca de 700 sonatas, entre elas 'Abertura em Ré Maior', 'Sinfonia em Si bemol Maior' e um 'Concerto para cravo e orquestra em Lá Maior'.

Atualmente, em Portugal, ainda há orquestras barrocas. Divino Sospiro é o nome de uma orquestra lusitana e foi fundada em 2003, por Massimo Mazzeo, músico italiano. A orquestra se encontra no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e é formada por cerca de 20 músicos.








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