sexta-feira, 4 de outubro de 2013

COLAGEM - Do princípio à Colagem Pop

Colagem (Definição)

Colagem é a composição feita a partir do uso de matérias de diversas texturas, ou não, superpostas ou colocadas lado a lado, na criação de um motivo ou imagem. Foi utilizada por Picasso e Georges Braque, entre outros. Ela é uma técnica não muito antiga, criativa e bem divertida, que tem por procedimento juntar numa mesma imagem outras imagens de origens diferentes.
Prato de Frutas, As de Paus
Georges Braque (1913)


Natureza-morta com cadeira de palha
Pablo Picasso (1912)
A colagem já era conhecida antes do Século XX, mas era considerada uma brincadeira de crianças. O cubismo foi o primeiro movimento artístico a utilizar colagem. Os cubistas colavam pedaços de jornal ou impressos em suas pinturas. A colagem como procedimento técnico tem uma história antiga, mas sua incorporação na arte do século XX, com o cubismo, representa um ponto de inflexão na medida em que liberta o artista do jugo da superfície. Ao abrigar no espaço do quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal e papéis de todo tipo, tecido, madeira, objeto e outros -, a pintura passa a ser concebida como construção sobre um suporte, o que dificulta o estabelecimento de fronteiras rígidas entre pintura e escultura.



Precedentes

Técnicas de colagem foram utilizados pela primeira vez na época da invenção do papel na China, cerca de 200aC. A utilização da colagem, no entanto, manteve-se muito limitada, até o século 10 no Japão , quando calígrafos começou a aplicar o papel colado, com textos sobre superfícies, ao escrever seus poemas.



A técnica de colagem apareceu na Europa medieval, durante o século XIII. Folha de ouro painéis começou a ser aplicado em catedrais góticas em torno do séculos XV e XVI. Gemas e outros metais preciosos foram aplicados a imagens religiosas, ícones, e também, brasões de armas.



No século 19, os métodos de colagem também foram utilizados entre colecionadores de memorabília (isto é, aplicado a álbuns de fotos) e livros (isto é, de Hans Christian Andersen , Carl Spitzweg). 

Memorabília
MATISSE - GUACHES RECORTADOS





Parece irônico falar de Matisse, apelidado o mestre da cor, mostrando uma fotografia a preto e branco. Durante toda a sua vida o pintor dedicou todos os seus esforços a trabalhar a cor - eu sinto através da cor, terá dito. Descobriu esta sua vocação quando lhe ofereceram uma caixa de cores para se entreter durante a convalescença de uma operação ao apêndice, tinha então 20 anos. Na época de convulsões e temores que atravessou, paradoxalmente pintou a alegria, a beleza e a harmonia. Ao longo de anos captou estes temas no papel através do desenho que depois preenchia com cores lisas e vibrantes.

Em 1941 é-lhe diagnosticada uma doença incurável que o vai incapacitar cada vez mais para a pintura, ele que riscava diretamente nos grandes espaços com o pincel! Matisse não se conforma com a sua incapacidade. Descobre então um novo meio de expressão ao seu alcance: o recorte. Nas suas mãos, a tesoura desenha linhas ondulantes em papeis previamente coloridos com guache. O artista prescinde do desenho e desenha diretamente na cor. O resultado é surpreendente... Frequentemente deitado ou numa cadeira de rodas, o velho doente arranjou uma maneira de contrariar o destino e, ainda assim, atingir o ápice da sua carreira - a síntese das sínteses!

Divertimento de um velho paralítico, crepúsculo de um Deus, frivolidades infantis... que interessa? As formas recortadas de Matisse são diferentes de tudo o que até então se vira. Não são as colagens cubistas, o vocabulário abstrato de Kandinsky nem os signos biomórficos de Jean Arp. São um constante regresso à infância, como disse Baudelaire sobre o Gênio. Em 1947 publica uma coletânea destes trabalhos a que chama sintomaticamente "Jazz - improvisos cromáticos e cadenciados". Improvisos semelhantes aos que executaria Charlie Parker no saxofone...

A tristeza do rei (1952) terá sido a sua última realização, o adeus à vida, às coisas do mundo que o rodeia e a tudo o que lhe era querido, reunindo tudo nesta obra derradeira como que para se fazer enterrar com ela, à maneira dos faraós do antigo Egipto. O rei, vestido de negro com uma viola na mão, seria o próprio Matisse.

O Tobogã - (1943)


O Palhaço (1943)

 
A Lagoa (1944)

 
Nu Azul (1952)

Tristeza do Rei (1952)


Colagem dadaísta

Os cubistas foram os primeiros a usar a colagem como arte, mas foram os dadaístas que subverteram a ordem da leitura e bom senso utilizando a colagem como protesto contra qualquer forma de regras. A idéia é colar qualquer coisa de qualquer maneira, mas olhando bem, parece que tinham senso estético, por mais que negassem.










Colagem Surrealista

As colagens e assemblages constituem mais uma expressão caraterística da lógica de produção surrealista, ancorada na ideia de acaso e de escolha aleatória, princípio central de criação para os dadaístas. A célebre frase de Lautréamont é tomada como inspiração forte: '"Belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de dissecção". A sugestão do escritor se faz notar na justaposição de objetos desconexos e nas associações à primeira vista impossíveis, que particularizam as colagens e objetos surrealistas. Que dizer de um ferro de passar cheio de pregos, de uma xícara de chá coberta de peles ou de uma bola suspensa por corda de violino? Dalí radicaliza a idéia de libertação dos instintos e impulsos contra qualquer controle racional pela defesa do método da "paranóia crítica", forma de tornar o delírio um mecanismo produtivo, criador. A crítica cultural empreendida pelos surrealistas, baseada nas articulações arte/inconsciente e arte/política, deixa entrever sua ambição revolucionária e subversiva, amparada na psicanálise - contra a repressão dos instintos - e na idéia de revolução oriunda do marxismo (contra a dominação burguesa). As relações controversas do grupo com a política aparecem na adesão de alguns ao trotskismo (Breton, por exemplo) e nas posições reacionárias de outros, como Dalí.


Colagens do alemão Max Ernst
(da Série de Colagens Surrealistas)













 

Colagem Surrealista - 2014



Cores, consumo, colagens: Pop Art
A Pop Art (termo criado por Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular) tem raízes do Dadaísmo (ainda não fiz um post sobre esse movimento, mas logo farei), e teve seu início no final da década de 1950. Alguns artistas dessa época começaram a estudar símbolos e produtos do mundo da propaganda e começaram a utilizar estes elementos como tema de suas obras. “Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.” 



“Just What Was It That Made Yesterday’s Homes So Different, So Appealing?”

(Richard Hamilton)


Capa de Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band
(Peter Blake)
Das colagens da Pop Art surgiu a ideia de trabalhar com meus alunos essa técnica utilizando recortes de revista sobre papel canson A4. Saíram trabalhos lindos! Aqui duas amostras de minha autoria. Publicarei os trabalhos dos alunos em breve.
Colagem Pop - Adriana - 2013


Fotomontagem Pop (tamanho A3) - 2013


3 comentários:

  1. Muito obrigado pelas informações passada, realmente ampliou o meu horizonte pelo universo dos fanzines. Sinto agora dividido entre o cubisno e o realismo. Sei que as Colagens do Coletivo Sarau Comics Editon, nunca mais serão as mesmas.

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    1. Fico contente que tenha gostado e que o tenha ajudado! Um abraço!!!

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