terça-feira, 1 de outubro de 2013

"A Vinha Vermelha - Vincent Van Gogh"


Pintado em 1888, o quadro «A Vinha Vermelha», de Van Gogh foi exposto, no ano seguinte, no Salão de Bruxelas, encontrando prontamente um comprador. Foi a única obra que Van Gogh conseguiu vender.


Em 1890, um ano após, o pintor foi aos campos de trigo sob o pretexto de matar gralhas que danificavam a plantação e atirou contra si mesmo, vindo a falecer, aos 37 anos. Se tivesse vivido mais três décadas (e tinha saúde suficiente para isso), veria o reconhecimento de sua obra, que passou a ser disputada, após o surgimento do Expressionismo.

Biografia

Um dos pintores mais conhecidos do grande público na atualidade, Van Gogh morreu praticamente no anonimato, depois de uma vida atormentada que o levaria ao isolamento e finalmente ao suicídio. Sua arte exerceu poderosa influência sobre a estética expressionista, que marca grande parte da arte moderna, e sobre toda a pintura posterior.

Vincent van Gogh nasceu em Zundert, Países Baixos, em 30 de março de 1853, filho de um pastor calvinista. Tendo mostrado talento precoce para o desenho, entre 1873 e 1876 trabalhou na galeria de arte Goupil, em Haia, e foi enviado às sucursais da galeria em Londres e Paris, mas seu anseio por paz espiritual levou-o a buscar novos caminhos.

Durante um período, Van Gogh exerceu atividades ocasionais e recebeu rápida formação teológica. Em 1879 fixou-se como missionário na região mineira de Borinage, Bélgica, onde viveu em extrema pobreza. O contato com a miséria dos trabalhadores provocou sua primeira grande crise espiritual, acompanhada da perda da fé, e no mesmo ano foi expulso da missão.

O fracasso dessa tentativa apostólica constituiu um momento crucial na vida de Van Gogh, que encontrou sua vocação e começou a desenhar. Decidido a dedicar a pintura à exaltação e ao consolo dos humildes, viajou durante os anos seguintes por cidades belgas e holandesas para aperfeiçoar sua formação, mediante o estudo da obra dos clássicos e as técnicas da estampa japonesa.

Ao mesmo tempo, realizava numerosos desenhos e pinturas a óleo caracterizadas pelas tonalidades escuras e o predomínio da linha, como em "Os comedores de batatas" (1885; Museu Stedelijk), quadro que apresenta os camponeses como terrivelmente degenerados.

Em 1886, o pintor mudou-se para Paris a fim de reunir-se ao irmão mais moço Theo, que durante toda a vida lhe ofereceu apoio econômico e moral. Nesse período fez amizade com pintores excepcionais como Gauguin, Toulouse-Lautrec e Seurat, que forjavam a nova estética pós-impressionista.

A influência desses artistas e a crescente admiração do pintor holandês pela criatividade da arte oriental estimularam-no a desenvolver um estilo pessoal e espontâneo.

Levado por desejo incontido de conhecer o sul da Europa, Van Gogh mudou-se para a Provença, fixando-se em fevereiro de 1888 na localidade de Arles, onde viveu a última etapa de sua vida. Ali, em miséria absoluta, pintou febrilmente.

Durante algum tempo viveu em companhia de Gauguin, mas os dois artistas brigavam com veemência. Numa dessas disputas, Van Gogh tentou ferir o amigo; depois, como forma de autopunição, o pintor amputou parcialmente uma orelha e a enviou a Gauguin. Esse foi o primeiro sintoma da enfermidade mental que atormentou Van Gogh até a morte. O fim dessa fase é mostrada no "Auto-retrato com cachimbo e orelha enfaixada" (1889).

A maturidade de sua arte foi registrada numa série de obras em que o cromatismo e a luminosidade fundiam a representação da natureza com a expressão subjetiva dos sentimentos, como em "Vista de Arles" (1888), "Ponte em Arles" (1888), as várias versões de "Os girassóis".

Internado no hospital de Saint-Rémy-de-Provence, Van Gogh sofreu várias crises e, nos momentos de lucidez, tentou dotar sua pintura de maior serenidade. Oprimido pelo confinamento, a solidão e a saudade da pátria, o pintor abandonou o sanatório em maio de 1890 e, após uma breve visita ao irmão, estabeleceu-se em Auvers-sur-Oise, sob os cuidados do doutor Paul-Ferdinand Gachet.

Em seus últimos meses de vida, o estilo do pintor voltou a apresentar energia compulsiva, com formas retorcidas e ondulantes -- "A igreja de Auvers" (1890), "Campo de trigo com corvos" (1890) -- que refletiam crescente desespero.

Convencido de que nunca recobraria a lucidez, Van Gogh disparou um tiro na fronte e morreu em 29 de julho de 1890, após dois dias de agonia, em Auvers-sur-Oise, perto de Paris. Ao morrer, havia vendido um único quadro e sua fama data dos primeiros anos do século XX.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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