quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A ARTE DE REGINA SILVEIRA

Instalação, Site specific, Arte objeto...


Regina Silveira (Porto Alegre RS 1939)

Regina Scalzilli Silveira

Artista multimídia, gravadora, pintora, professora.

Regina Silveira graduou-se como Bacharel em Pintura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1959) e mais tarde fez Mestrado (1980) e Doutorado (1984) na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde leciona no Departamento de Artes Plasticas, desde 1974.

Desde os anos 60, exibe seus trabalhos em numerosas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Nos anos 70, seus trabalhos são predominantemente gráficos. Como artista multimídia participa em circuitos de mail art, com livros de artista e publicações alternativas. Ela também é pioneira da Vídeo Arte no país.
Participou da I Bienal de Havana, Cuba, em 1984, da Bienal Internacional de São Paulo (1981, 1983 e 1998), da 2ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, em 2001, da Trienal Trienal Poli/Gráfica de San Juan, em Puerto Rico (2004), da 6ª Bienal de Taipei(2006) e da Philagrafika, em Philadelphia, EUA (2010).

Em anos recentes, uma seleção de instalações relacionadas a arquiteturas específicas (site specific) compreende: Claraluz, no Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo (2003), Derrapadas, no Centro Cultural de España, em Montevidéu, Uruguai (2004), Desapariencia (Taller), no El Cubo, Sala de Arte Público Siqueiros, México, DF (2004), Lumen, no Palacio de Cristal, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri (2005), Irruption, no Taipei Fine Arts Museum (2006), Observatório, Projeto Octógono, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2006), Mundus Admirabilis, no Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília (2007), Ficções, no Museu Vale do Rio Doce, Vitória (2007), Tropel (Reversed), no Kunstmuseet Koge Skitsesamling, Koge, na Dinamarca, em 2009, e Irruption, na exposição Linha de Sombra, Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.

Recebeu bolsas da John Simon Guggenheim Foundation (1990), da Pollock-Krasner Foundation (1993) e da Fulbright Foundation (1994).

Recentemente, no Brasil, recebeu o Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia (2000), o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pela exposição Claraluz (2003) o Prêmio Bravo Prime de Artes Plásticas por Mundus Admirabilis (2007) e o Prêmio de Artes para a Pintura/Vida e Obra, da Fundação Bunge (2009).

Fonte: CanalContemporaneo


Gone Wild

No caso de intervenções em espaços reais um exemplo de meados dos 90 é “Gone Wild” (1996), a grande escapada de coiotes, cujas centenas de pegadas foram configuradas segundo uma malha perspectivada e depois pintadas diretamente nas paredes e chão do grande hall de entrada do Museum of Comtemporary Art, em San Diego, La Jolla, A obra foi criada em resposta ao convite da instituição para dialogar com o design do Arquiteto Robert Venturi para a reforma do museu, recém-concluída.


Trechos do processo de criação dessa obra:












Intro

Entendo que instalações mais recentes, como” Intro” e “Irruption” (2005) aliam as duas vertentes de modo mais enfático, dado que a exploração de novos recursos gráficos está na base da criação de imagens que revestem, invasivamente, arquiteturas diversas (respectivamente em La Mediatine, Bruxelas e no Museum of Fine Arts de Houston, Texas).




Wild book (Livro de Artista)




Tropel

Nos últimos anos algumas obras e intervenções se relacionam com a Arquitetura em termos da escala urbana, tendo a própria cidade como suporte para visualização. “Tropel” (1998), invadiu a fachada do prédio da Fundação Bienal de São Paulo com uma imagem digital adesiva, de 600 m2, construida como uma irrupção de pegadas de animais de diversas espécies.







Tropel foi criado para a 24ª Bienal de São Paulo, cujo tema era Antropofagia.Basicamente, consistia numa imagem digital de vinil que representava a pega de diversos animais, tanto presas quanto predadores. Essas imagens foram colocadas na fachada do Pavilhão da Bienal, como se os animais fugissem por uma fresta do prédio. Na versão Tropel Reverso (afinal, agora ele não ocupa mais o exterior do prédio, mas sim o interior!), Regina Silveira distorceu as imagens do original, tornando o impacto maior.

* Faça a atividade de desenho sobre a imagem abaixo. Inspire-se nas obras de Regina Silveira e crie! "Do chão às paredes"!!! Pinte tudo!!!



Intervenção na escola, a partir do trabalho de Regina Silveira (2012)  
9º ano B


























Escadas Inexplicáveis 


Regina Silveira brinca com nosso olhar projetando esta escada em três paredes distintas. O suporte não é apenas uma parede, pois a imagem da escada se estende pelas outras duas.



"Justamente neste trabalho que fiz um pulo do analógico para o digital. Eu usava geometria da perspectiva de uma escada para fazer a distorção e não estava dando certo, então se criou um modelo 3D cuja sombra resultou nessa obra. E houve um momento em que não entendi mais nada! Havia trinta e tantos pontos de fuga… achei que podia chamar isso de inexplicável!" - conta, relembrando a configuração da série, que ainda ainda tem outras "irmãs" e uma versão digital animada, feita de luz, como se fosse um cartoon.





Descendo a Escada 










PROCESSOS DE CRIAÇÃO EM ARTE


O QUE É PROCESSO DE CRIAÇÃO EM ARTE? (Layo Bulhão)

O processo de criação do artista é a parte mais valiosa da obra. Lógico que o produto final é importante, mas é durante o inicio e o término da obra que estão suas inquietações, erros e acertos, dúvidas e certezas, vontade de mudar tudo e o mais importante os seus questionamentos.

Todo artista se pergunta no seu processo de criação, ou pelo menos deveria se perguntar: O eu quero dizer com essa obra?

A obra final de um artista não é o ápice de sua criação, mas descobrir já durante o processo que impactos irão causar no seu público.

O artista vive a obra somente enquanto ela esta sendo produzida, pois quando é finalizada quem passa a vivenciá-la é o fruidor, o contemplador de sua obra.

Os processos de criação na atualidade estão sendo cada vez mais valorizados, pois é o instante do autor com sua obra. A construção da obra é um lugar que tem vários caminhos e isso é prazeroso tanto para quem faz como para quem vê.

Mas no campo de investigação dos processos de criação, existem muitos equívocos. Primeiro, o processo de criação é, antes de tudo, busca por um produto final que ainda não se sabe claramente o que é, mas que se tem uma noção de onde se quer chegar. Segundo, mostra de processos não são explicativos do que é processo. Terceiro não se deve ignorar o público assistindo. Os processos criativos são fragmentos que gosto ou mostram onde “até aqui cheguei, mas ainda não é isso que quero” .

Talvez a palavra mais próxima que defina o que vem a ser processo criativo é possibilidades.



Exemplos de processos de criação em diferentes linguagens

Texto


(...) Cada artista tem seu tempo de criação. É difícil saber quando começa a gravidez e quando se dá o parto. Há pintores que são permanentemente prenhes, parindo ninhadas como era o caso de Picasso. Eu, antes de iniciar a viagem – o quadro -, consulto minha bússola interior e traço o rumo. Mas, quando estou no mar grosso, sempre sopra um vento forte que me desvia da rota preestabelecida e me leva a descobrir o novo quadro. Todo criador é um Pedro Álvares Cabral. (...)

(In: Camargo, Iberê, Gaveta dos Guardados, São Paulo: EDUSP, 1998. p.31-36.)

Artes Visuais

  • Marulho (1997-2006) - Cildo Meireles 
(...) fotografias de mar em centenas de livros abertos que cobrem o chão, sob um deck de madeira (um píer) na instalação de Cildo Meireles, que se complementa com reprodução em áudio da palavra água enunciada por crianças e adultos em 80 línguas diferentes.






Exposição de Cildo Meireles na Pinacoteca do Estado

Teatro

  • Cia. Caixa de Fuxico - A Batalha dos Encantados (2007) 
"O espetáculo foi criado a partir da pesquisa sobre os orixás, da pesquisa com objetos, das imagens que  esses orixás trazem em suas narrativas e da música sempre pesquisada ao vivo por músicos experientes. Por exemplo, Euá é uma orixá que se transforma em rio, então pesquisamos suas características: é a bruma, a névoa, a transformação da água, a poesia entre outras imagens. A criação da cena surgiu através do repertório comum que tínhamos eu [Andrea Cavinato] e a musicista [Márcia Fernandes], dos nossos tempos de vivência no Teatro Ventoforte: dar forma às imagens com panos, com cor, com movimento e com música. Essa cena da foto é, especificamente, quando Euá 'nasce' como orixá, ou seja, deixa de ser humana e passa a ser uma força da natureza, uma fonte que jorra e se transforma em rio."









A Batalha dos Encantados parte 01 Caixa de Fuxico




A Batalha dos Encantados parte 4 Grupo Caixa de Fuxico



Dança


  • Terpsí Teatro de Dança - E la nave no va II
A imagem da coreografia do Terpsí Teatro de Dança mostra como objeto cênico um tacho de lavar roupa.






  • Balé da Cidade de São Paulo - Baile na Roça: coreografia para Portinari (1998)


Baile na roça é o título que Cândido Portinari deu à primeira tela em que retratou o Brasil, pintando uma típica festa popular de sua cidade natal no interior de São Paulo, Brodósqui. A obra foi rejeitada pelo Salão Oficial da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, pelas inovações técnicas incorporadas pelo pintor. Baile na roça é também o nome do espetáculo que o Balé da Cidade de São Paulo remonta neste ano para comemorar os cem anos desse pintor brasileiro que sempre buscou as raízes de seu país.Mas as relações entre Portinari e a dança estão longe de se esgotar neste nome. Além de pintar variadas telas sobre bailes e festas de sua terra, ele ainda estendeu sua arte para os figurinos e os cenários do balé Iara, apresentado no Brasil em 1946 pelo Original Ballet Russe.
Aliás, foi a partir do convite de remontar Iara, história da rainha das águas e sua luta contra o Sol da seca nordestina, que Baile na roça – Coreografias para Portinari começou a andar com seus próprios pés. O Projeto Portinari, coordenado pelo filho do pintor, conseguiu resgatar os cenários e os figurinos da peça, mas a coreografia permaneceu desconhecida. Diante da falta de registros sobre Iara, o diretor José Possi Neto (ECA/USP) montou um novo espetáculo, inspirado em diferentes telas do pintor e dançado pela primeira vez em 1998, quando Possi era diretor do Balé da Cidade.
A versão atual mantém a divisão anterior em cinco balés, sendo que um deles subdivide-se ainda em três partes. “Cada um dos balés foi coreografado por bailarinos da companhia. Cada um tem uma busca e se inspirou em telas e aspectos diferentes de Portinari”, explica Possi. A ligação entre eles são os trechos da coreografia de Ana Teixeira que se alternam com as criações dos outros bailarinos. “Ela quis mostrar as mulheres fortes através de seus pés, suas mãos e costas marcantes nas telas. Os três quadros da coreógrafa são mais conceituais”, conta a diretora artística do Balé da Cidade de São Paulo, Mônica Mion, que dançou o espetáculo em 1998. Na cena sobre as mãos, os figurinos de Lino Villaventura permitem que somente as mãos dos dançarinos apareçam. O mesmo acontece com outras partes do corpo.
Da roça para o palco – Os pés dos bailarinos traduzem para a dança os pés da roça, dos espantalhos, dos retirantes, dos músicos, das crianças, dos brasileiros enfim retratados por Portinari, ele próprio “um caipira”, como se definia. Ao fundo do palco, as pinturas que influenciaram cada cena do espetáculo são projetadas com uma alteração – os personagens de Brodósqui foram retirados para que os dançarinos dessem vida a eles durante o balé. É assim que o sanfoneiro, o João Negrinho e os familiares de Portinari, retratados em Baile na roça, pulam para o palco e que os cenários das telas do pintor se transformam em cenários do espetáculo.
Um ícone bastante pintado por Portinari, ao qual ele se compara em um de seus depoimentos, é o espantalho. Essa importante figura da crendice popular, tema apreciado pelo pintor, recebe o único solo do espetáculo, quando um dançarino se movimenta pendurado por elásticos, utilizando técnicas circenses. Além de retratar a realidade na “roça”, a temática urbana das telas do pintor também serviu de inspiração, como conta Possi.

Representando retirantes oprimidos na cidade grande, uma bailarina dança dentro de uma espécie de aquário que se esvazia ao fim da cena, ao som de Deodeca, de Caetano Veloso e Jacques Morelembaum. A Orquestra Sinfônica Municipal, com regência do maestro Henrique Lian, interpreta as composições também assinadas por Egberto Gismonti, Sérgio Assada e Hermeto Paschoal, que encerra o balé com forrós, “os bailes da roça”, segundo Possi. Para o diretor, o espetáculo tem uma estética com valores e temáticas brasileiros, características que Portinari teve coragem de assumir em sua obra Baile na roça, desafiando os preceitos acadêmicos vigentes no País para retratar a identidade nacional.

A obra Baile na Roça, de Cândido Portinari, inspirou
a criação do espetáculo, para o Balé da Cidade de São Paulo













segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

ENTRE GRITANDO

A relação entre Arte e público





A relação entre arte e público sempre me despertou curiosidade, por querer saber qual é o nível de profundidade na fruição de obras de arte. Mais especificamente, este interesse se volta à arte contemporânea, pois na minha condição de artista procuro fazer uma leitura de como esta relação se processa para o meu próprio entendimento, fruição ou qualquer outra experiência que uma obra de arte venha proporcionar.

Desse modo, os trabalhos que desenvolví foram produzidos com o intuito de refletir sobre um pensamento considerado não erudito, ou seja aquele que não é adquirido pelo viés acadêmico. Ainda assim, esse gosto não erudito se constrói por meio de diversas classes sociais em diferentes níveis culturais.

Outro aspecto relevante, da minha produção, é o de proporcionar uma visão da arte como forma de comunicação entre indivíduos. Destaco este aspecto, pois, a arte contemporânea parece estar fadada a um círculo muito restrito de iniciados pela academia. A pouca visitação dos espaços que abrigam este tipo de arte é um fato que parece ser superado apenas em mega eventos, com orçamentos milionários. No dia-a-dia, exposições menores, em sua grande maioria, com orçamentos curtos não têm muita visibilidade e não são vistas e apreciadas pelo grande público.

O embate cotidiano do público em geral com a arte não existe nem nos espaços públicos ou institucionais, nem nos espaços privados e nem nas tentativas, por parte dos artistas, de levar a arte para as ruas, onde teoricamente este embate deveria acontecer.

Essa relação, entre público e arte contemporânea, que num primeiro momento parece não ter profundidade, pois é desse modo que os próprios espectadores se referem ao seu grau de intimidade com a arte, é usada como matéria-prima na construção dos trabalhos aqui apresentados.

Luciano Mariussi 


Link:
http://www.muvi.advant.com.br/artistas/l/luciano_mariussi/luciano_mariussi.htm




Entre gritando, obra de Luciano Mariussi apresentada no Panorama MAM de 2005, tem algo da histeria em torno da arte contemporânea. Histeria da incompreensão, bem entendido. A proposta do artista era a seguinte: quem gritasse “eu sei o que é arte contemporânea” ao pisar no Museu de Arte Moderna de São Paulo ganhava desconto de R$ 1 na entrada. A dificuldade de personificar o visitante idealizado por Mariussi era dupla: as pessoas em geral se constrangiam com a hipótese remota de entrarem gritando – fosse lá o que fosse – em um museu; e ainda tinham que se haver com a dúvida “por acaso eu sei o que é arte contemporânea?” Além de entrar gritando no museu, comportamento fora de qualquer padrão de conduta em espaços de arte, o desafio era bradar a plenos pulmões uma provável mentira. E se o desconto só fosse concedido mediante a enunciação de alguma definição de arte contemporânea?

Era muita coisa em jogo por R$ 1. Nas três ou quatro visitas que fiz ao Panorama, não presenciei nenhum corajoso gritador ganhando o desconto na bilheteria. Mas há relatos do museu, segundo me contou o artista, de algumas pessoas que se aventuraram, sobretudo crianças. A obra era, na realidade, uma cilada (conceitual, claro. Quem gritasse “eu sei o que é arte contemporânea” ganhava o desconto sem precisar dar satisfação a ninguém sobre seus conhecimentos a respeito de arte). Era um convite simpático a ganhar um desconto (quem não gosta de uma promoção?) que, contradição entre termos, coibia o visitante de pleitear o seu merecido desconto. O trabalho era paralisante, apesar de se anunciar como uma proposta de ação. Uma convocação a agir fadada ao fracasso. Essa estratégia algo perversa é característica da produção do artista paranaense. Tomem-se as obrasJogo para jogador inepto (1999) ou Unfriendly (2001) e a estratégia, com variações de aplicação, poderá ser novamente observada (e “fruída”).

Além do paradoxo, da crítica e do questionamento presentes em Entre gritando, o que mais me agrada na obra de Luciano Mariussi para o Panorama de 2005 é a própria presença física da obra: durante mais de três meses ficou estampado na fachada de um dos principais museus da cidade o imperativo afirmativo do verbo “entrar” seguido do gerúndio do verbo “gritar”. Neste anúncio em grandes dimensões (as outras informações, “...eu sei o que é arte contemporânea e ganhe 1 real de desconto na entrada do MAM”, apareciam em letras proporcionalmente “miúdas”), reside a maior subversão promovida pelo trabalho. Se fosse nos dias atuais, em tempos de operação-limpeza-visual do prefeito Kassab, o letreiro no MAM seria ainda mais subversivo. O fato é que a presença desse “entre gritando” gritado na fachada do museu dava vazão a muita livre associação de ideias. Além de cilada, a obra era uma charada: arte contemporânea é... embutir ruídos na vida cotidiana e colocar as pessoas para pensar ou devanear.(...) 


Mediação Cultural

A ação do mediador cultural, nos territórios da mediação cultural, se refere a um trabalho de contaminar e provocar, na escola ou no museu, o público ingênuo, principiante, aprendiz ou especialista. Franz (2003) aponta que para o publico ingênuo não existe conhecimento prévio da arte, prevalecendo concepções intuitivas e místicas sem criar relações entre seu cotidiano e o que aprende na escola ou espaços culturais. O principiante, por sua vez, mistura suas crenças intuitivas com os conhecimentos adquiridos, e tem dificuldade de fazer conexões entre o que sabe e a obra de arte. O aprendiz possui algum conhecimento e ideias sobre arte e usa do seu conhecimento e intuição para ler a imagem. O público especialista possui um alto grau de conhecimento prévio sobre arte e a obra analisada e utiliza de seu conhecimento para construir, discutir e reconstruir seu conhecimento. 

A ação mediadora, como nós a entendemos, pretende contaminar e provocar os diferentes públicos, tornando-o capaz de passar ao ato de executar a obra em si mesmo, como nos fala Pareyson (1989). Ação mediadora que convoca a atitude necessária à compreensão dos diversos elementos da cultura e da arte na contemporaneidade, passando pela estética do cotidiano, o design de objetos, móveis e embalagens, pela diversidade de narrativas, linguagens, pela multiplicidade de cores, matizes, tonalidades, traçados que hoje envolve a vida de todos. Trata-se de um saber transitar, articular e produzir pensamento sobre e através dos signos da cultura. É necessário, cada vez mais, um trabalho de mediação que ative as sensibilidades disseminadas na pele da vida.


O que é Arte Contemporânea 

A arte contemporânea é construída não mais necessariamente com o novo e o original, como ocorria no Modernismo e nos movimentos vanguardistas. Ela se caracteriza principalmente pela liberdade de atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o limitem, portanto pode exercer seu trabalho sem se preocupar em imprimir nas suas obras um determinado cunho religioso ou político.

Esta era da história da arte nasceu em meados do século XX e se estende até a atualidade, insinuando-se logo depois da Segunda Guerra Mundial. Este período traz consigo novos hábitos, diferentes concepções, a industrialização em massa, que imediatamente exerce profunda influência na pintura, nos movimentos literários, no universo ‘fashion’, na esfera cinematográfica, e nas demais vertentes artísticas. Esta tendência cultural com certeza emerge das vertiginosas transformações sociais ocorridas neste momento.

Os artistas passam a questionar a própria linguagem artística, a imagem em si, a qual subitamente dominou o dia-a-dia do mundo contemporâneo. Em uma atitude metalingüística, o criador se volta para a crítica de sua mesma obra e do material de que se vale para concebê-la, o arsenal imagético ao seu alcance.

Nos anos 60 a matéria gerada pelos novos artistas revela um caráter espacial, em plena era da viagem do Homem ao espaço, ao mesmo tempo em que abusa do vinil. Nos 70 a arte se diversifica, vários conceitos coexistem, entre eles a Op Art, que opta por uma arte geométrica; a Pop Art, inspirada nos ídolos desta época, na natureza celebrativa desta década – um de seus principais nomes é o do imortal Andy Warhol; o Expressionismo Abstrato; a Arte Conceitual; o Minimalismo; a Body Art; a Internet Street e a Art Street, a arte que se desenvolve nas ruas, influenciada pelo grafite e pelo movimento hip-hop. É na esteira das intensas transformações vigentes neste período que a arte contemporânea se consolida.

Ela realiza um mix de vários estilos, diversas escolas e técnicas. Não há uma mera contraposição entre a arte figurativa e a abstrata, pois dentro de cada uma destas categorias há inúmeras variantes. Enquanto alguns quadros se revelam rigidamente figurativos, outros a muito custo expressam as características do corpo de um homem, como a Marilyn Monroe concebida por Willem de Kooning, em 1954. No seio das obras abstratas também se encontram diferentes concepções, dos traços ativos de Jackson Pollock à geometrização das criações de Mondrian. Outra vertente artística opta pelo caos, como a associação aleatória de jornais, selos e outros materiais na obra Imagem como um centro luminoso, produzida por Kurt Schwitters, em 1919.

Os artistas nunca tiveram tanta liberdade criadora, tão variados recursos materiais em suas mãos. As possibilidades e os caminhos são múltiplos, as inquietações mais profundas, o que permite à Arte Contemporânea ampliar seu espectro de atuação, pois ela não trabalha apenas com objetos concretos, mas principalmente com conceitos e atitudes. Refletir sobre a arte é muito mais importante que a própria arte em si, que agora já não é o objetivo final, mas sim um instrumento para que se possa meditar sobre os novos conteúdos impressos no cotidiano pelas velozes transformações vivenciadas no mundo atual.

Fontes:
http://www.coladaweb.com/artes/artecom.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_contemporânea




Vídeo criado pela equipe do Itaú Cultural para abrir a exposição Trilhas do Desejo e aproximar o público da arte contemporânea. A exposição é um dos resultados do programa Rumos Artes Visuais 2008-2009, que busca identificar e promover obras e artistas contemporâneos de todo o Brasil.



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Música: O Corpo utilizado como Instrumento Musical



CORPO X INSTRUMENTO

Quando chamamos o corpo de ‘instrumento musical’, possivelmente, estamos incluindo-o no mesmo universo dos outros instrumentos musicais, mas será que ele é só mais um deles?

Dependendo de como usamos a terminologia, estaremos optando por valores diferentes. Por exemplo, se, em vez de usarmos a palavra ‘instrumento’, usarmos a palavra ‘recurso’, estaremos transformando a visão de mundo atribuída ao corpo.

Nós somos o nosso próprio corpo e, ao considerá-lo um instrumento, no sentido de ‘objeto’ ou ‘utensílio’, estamos atribuindo este valor a nós mesmos. Diferentemente, quando dizemos que o corpo é um recurso, no sentido de ‘origem’ ou ‘fonte’, exercitamos uma outra percepção: ao produzir música a partir dele, estamos produzindo música a partir de nós mesmos. Esta diferença é crucial para entendermos o significado da música que é produzida a partir dos sons do corpo, prática que sempre nos acompanhou, desde nossas origens.


Barbatuques é um grupo brasileiro de percussão corporal.

Criado em 1995 pelo músico paulistano Fernando Barba , o Barbatuques é formado por 15 integrantes (André Hosoi, Marcelo Pretto, André Venegas, Dani Zulu, Flávia Maia, Giba Alves, João Simão, Lu Horta, Heloiza Ribeiro, Mairah Rocha, Maurício Maas, Renato Epstein, Charles Raszl e Lu Cestari) que propõem, sobretudo, fazer música a partir do batuque com o próprio corpo, como palmas, batidas no peito, estalos com os dedos e a boca, assobios e sapateados, resultando ritmos do samba ao rap. Além disso, mostra o resultado da coletividade e da brasilidade como tema.


As expressões orgânica e corporal mostram o desenvolvimento de linguagens cênicas e visuais com projeções de imagens e coreografias.


Grupo Barbatuques

                       Barbapapa's Groove - Barbatuques                             




A música pode ser obtida também com objetos do dia-a-dia. 
Um grupo bastante conhecido que utiliza esse recurso para suas performances é o grupo Stomp.

Grupo Stomp
O Grupo Stomp utiliza materiais de sucata, recicláveis e objetos inusitados (vassouras, caixas de fósforo e latas de lixo) para produzir sons e ritmos musicais. Além dos instrumentos, a expressão corporal dos artistas e o público, com suas palmas, ajudam a construir as oito performances apresentadas em palco. Alguns dos materiais utilizados pelo Stomp semanalmente: 30 vassouras, 288 litros de água, 2 galões de tinta, 10 mastros de madeira, 40 jornais, 10 quilos de areia, 10 tampas de latões de lixo, 4 cabos de martelo, 5 rolos de fita adesiva, 2 rolos de ataduras, 12 caixas de fósforo, 1 lata de lixo com pedal, 10 botinhas, 1 fita métrica, 7 Garbage Cans, 20 baquetas, 4 caixas de lenço e 3 canetas.

A palavra stomp pode se referir a um subgênero distinto de teatro físico, onde o corpo incorpora-se a outros objetos como meio de produzir percussão e movimento que ecoa as danças tribais.