quarta-feira, 8 de julho de 2015

DANÇA E RUPTURA - 8º ANO - 2º BIMESTRE

RUPTURAS NA TRADIÇÃO DA 
LINGUAGEM DA DANÇA

1- Capoeira

Raízes africanas

A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas.





No Brasil

Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.

Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.




A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.

Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.




Três estilos da capoeira

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.






Capoeira


Você sabia?

  • Em 26 de novembro de 2014, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), declarou a roda de capoeira como sendo um patrimônio imaterial da humanidade. De acordo com a organização, a capoeira representa a luta e resistência dos negros brasileiros contra a escravidão durante os períodos colonial e imperial de nossa história.
  • É comemorado em 3 de agosto o Dia do Capoeirista.

2- Hip hop (Breakdance)


Hip hop é uma cultura artística que começou na década de 1970 nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque. A tradução literal desta expressão é "balançar os quadris".

Clive Campbell ou DJ Kool Herc é conhecido como o fundador dessa cultura, e a sua irmã (Cindy Campbell) é por muitos considerada como a Primeira Dama do hip hop. No entanto, a designação "hip hop" é da autoria de Afrika Bambaataa. O primeiro evento da história do hip hop ocorreu no dia 11 de Agosto de 1973, em uma festa no nº 1520 da Sedgwick Avenue, no Bronx (Nova Iorque).

O hip hop tem quatro elementos principais: o rap, o DJing, o breaking (praticado pelos b-boys e b-girls) e a arte do grafite.




Quando o hip hop surgiu, concentrava-se nos disc jockeys que criavam batidas rítmicas, eram pequenos trechos de música com ênfase em repetições, posteriormente, foi acompanhada pelo rap, identificado como um estilo musical de ritmo e poesia, junto com as danças improvisadas, como a breakdance, o popping e o locking.





Breakdance



A relação entre o grafite e o hip hop surgiu quando novas formas de pintura foram sendo realizadas em áreas onde a prática do rap, do dj e da dança. Entre as diferentes manifestações artísticas do movimento hip hop, a música se insere como papel principal, com DJs, MCs (mestre de cerimônias) e do Rap.

O hip hop tem um estilo de vestir muito característico e origem afro-americana, caribenha e latina. Atualmente as roupas são largas, no entanto, nas suas origens eram mais justas, pois facilitavam os movimentos de dança.

A DANÇA CLÁSSICA, MODERNA E CONTEMPORÂNEA

  • BALÉ CLÁSSICO



Com a transição do pensamento medieval ao renascentista a sociedade ocidental começa a produzir manifestações culturais próprias daquele contexto, em que o homem passa a ser o centro de tudo, período que mais tarde foi chamado de etnocentrismo ou humanismo.




No século XVI, a Igreja já não possuía a força política que tinha no auge da Idade Média, o “status” agora pertencia a nobreza, com seus castelos luxuosos e exércitos para servir-lhes.





Catarina de Médici ao chegar à França para tornar-se rainha, vinda da Itália, berço do Renascimento, trouxe consigo artistas que já produziam óperas e balés de corte em seu país. Seu coreógrafo mais importante foi Baldassarino Belgioso, cujo nome artístico era Baltasar Beaujoyeux.

Foi este coreógrafo que transformou o balé de corte em balé teatral. Sua primeira grande montagem de balé teatral na França foi o “Ballet Comique de la Reine”, em 1581, utilizando diferentes linguagens artísticas, com produção de libretos contendo cópias das músicas da apresentação, que foi feita para um público de mais de dez mil pessoas, espetáculo que durou aproximadamente seis horas, durante a noite (um prólogo, quatro vigílias divididas em quarenta e cinco entrées e um grand finale, ou melhor, o triunfo final – o sol).



Este acontecimento foi o marco do surgimento do balé clássico. Baltasar Beaujoyeux considerava a dança uma organização de desenhos geométricos construídos pelo grupo de pessoas em movimento, pois a coreografia era freqüentemente vista de cima, nas bancadas, balcões e camarotes, e o estilo da época era chamado de basse danse (dança baixa), constituída de passos rasteiros cadenciados e contados, evitando evoluções complexas e os saltos, até mesmo pelo vestuário e estilo nobre do século XVI.

No século XVII, o rei da França Luis XIV, denominava-se “Rei Sol”, por ter protagonizado, aos quinze anos, o papel de “rei sol” no Ballet de la Nuit, em 1653, primeiro dos vente e seis balés que dançou como primeiro bailarino em seu reinado, só parando quando começou a envelhecer.



Naquele século, costumava-se oferecer muitas festas para a nobreza européia, cujos encontros apresentavam bailados dramatizados. O primeiro grande Maître de Ballet (mestre de dança) foi Charles-Louis-Pierre de Beauchamps. Ele foi responsável pela criação das cinco posições básicas dos pés no balé. Essas posições foram criadas com a intenção de manter o equilíbrio do corpo em movimento ou parado, e organizar a estética da dança. Beauchamps pessoalmente não deixou nada escrito ou publicado, porém seu trabalho foi passado mais tarde por seus discípulos Raoul-Auger Feuillet e André Lorin em publicações.

É importante ressaltar que os balés no século XVI eram de movimentos contidos, de passos baixos, por isso a criação e ordem das posições dos pés e as posturas dos braços.

O Ballet Comique de la Reine foi se desestruturando no reinado de Luis XIV, enquanto Beauchamps, Lully e Moliére vão desenvolvendo a “Ópera-balé” na Itália, e que anos depois Lully irá leva-la para a França e introduzir o balé de corte nos palcos dos teatros. Em 1661, o rei da França fundou a “Academia Real de Dança e de Música”, e em 1681, Lully começa a introduzir bailarinos profissionais em seus balés, e com isto o aprimoramento da técnica clássica. Beauchamps desenvolve passos como: o “entrechat” (um sobressalto que mais tarde vai ser acrescentadas batidas); o “grand jeté (salto em comprimento).

O professor de dança (maître de ballet) Pierre Rameau, em 1725, publicou sistemas de dança que se baseava nos mesmos princípios de Beauchamps. Mas o Raoul-Auger Feuillet, discípulo de Beauchamps, apresenta quatrocentos e sessenta passos de ballet, entre eles, pliés, elevés, tombés, glissés, cabrioles, e ainda, giros, cadências e figuras do corpo, sem contar os piques, coupés e pas de bourrés. Delineando, também, os eixos perpendiculares para se movimentar e girar, sendo eles: frontal; dorsal; e lateral. É no Iluminismo que surge a dança clássica Virtuosa.




O “En Dehors” (para fora), aquela posição em que o bailarino apresenta-se com as cochas, joelhos e pés girados para fora da linha central do corpo, fazendo uma rotação externa da articulação coxo-femoral, foi criada quando o balé de corte começou a ser levado para os palcos italianos, em que a platéia assistia ao espetáculo de frente, e não mais como nos salões reais, sobre as bancadas e camarotes, vendo-os de cima. Então para que o artista nunca se coloque de costas para o público, composto de nobres e convidados, cria-se esta posição aberta que ao dançar de uma diagonal a outra se evita ficar de costas para o público.

Jean-Georges Noverre apresentou, em 1789, o primeiro balé que rompeu definitivamente com o estilo da ópera, o “Les Caprices de Galathée”: o “drama-balé-pantomima”. Noverre possuía uma doutrina de contestação aos balés anteriores. Para ele o balé deveria narrar uma ação dramática, ser natural e expressivo, utilizar a pantomima, e abolir as máscaras por esconder a expressão facial do bailarino. Aboliu também as enormes perucas “operescas” dos balés, mudando o comprimento do vestuário feminino para dar mais leveza e graciosidade aos movimentos. Sua preocupação era grande em relação a formação do bailarino, pois acreditava que eles precisavam aprender diferentes áreas do conhecimento, para não se tornarem autômatos da dança.



A busca do balé romântico no século XVIII é negar a força da gravidade, levando a utilização das sapatilhas de pontas pelas mulheres, cuja primeira bailarina a utiliza-la foi Maria Taglione, em 1826, e neste período do romantismo acontece o declínio da importância do bailarino em cena, pois sua função passa a ser de suporte para a bailarina brilhar com leveza e graciosidade.



No século XIX o balé clássico vai se aperfeiçoando de tal forma, que grandes escolas vão se consolidando na Rússia, Itália, França e Inglaterra. Ainda hoje, além desses países há também escolas ou técnicas desenvolvidas por Cuba, Estados Unidos, China e muitas outras, que adaptam técnicas clássicas e elementos da sua própria cultura visando a melhor performance técnica e a estética distinta do balé clássico.




Ballet Clássico Giselle


  • BALÉ MODERNO


Isadora Duncan foi pioneira da dança moderna e revolucionou a dança no século XX, causando polêmica ao ignorar todas as técnicas do balé clássico. Foi a primeira que ousou tirar as sapatilhas e dançar com os pés descalços usando túnicas vaporosas, com os cabelos meio soltos, em cenários simples composto apenas por uma cortina. Ela se inspirava em figuras das dançarinas nos vasos gregos encontrados em museus como o Louvre de Paris, e sua proposta era completamente diferente das regras do balé clássico, com movimentos improvisados, inspirados nos movimentos da natureza como o vento, plantas e animais. Corria pelo palco como uma bacante da mitologia grega evocando o espírito dionisíaco. Outro ponto forte na sua dança é que Isadora utilizava músicas até então apreciadas apenas pela audição, dançando ao som de Chopin, Beethoven e Wagner.Foi a terceira filha dos quatro tidos pelo casal Dora Gray Duncan, pianista e professora de música e Joseph Charles, poeta.

Isadora Duncan era o pseudônimo artístico de Dora Ângela Duncanon, nascida em 27 de de maio de 1877 em São Francisco nos EUA. Isadora tinha personalidade forte e não se curvava às tradições. Não era afeita ao casamento, tendo casado três vezes e só o fazendo porque tinha a possibilidade de separar-se, caso necessário. Seus pais eram divorciados, e embora tenha tido uma infância humilde, sua mãe fazia questão de uma boa educação para os filhos, que era complementada com aulas particulares de literatura, poesia, música e artes plásticas. Isadora começou a ter aulas de balé clássico por volta dos 4 anos e aos 11 já tinha um estilo pessoal próprio de desenvolver sua dança com movimentos espontâneos. Em 1899 partiu para a Europa buscando firmar-se como dançarina, e alcançou grande sucesso em Paris em 1902, ao apresentar-se no Teatro Sarah Bernhardt, quando passou então a ter grande notabilidade mundial. Duncan foi duramente criticada nos Estados Unidos, sua terra natal, quando resolveu partir em turnê pela Rússia, tendo seu trabalho muito bem recebido naquele país, e estabelecido boas ligações com intelectuais russos. Ela deixou a América em 1909 e nunca viveu lá novamente, tendo retornado apenas para passeios. Em 1920 casa-se com o poeta soviético Serguei Iessienin - poeta que teria inspirado Mayakóvski - de quem se separa dois anos depois. Serguei se mata em 1925, é quando Isadora vai para a França e passa seus últimos anos em Nice.
Em agosto de 1916, aos 38 anos, Duncan se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Dizem que durante sua estada no Brasil, teria havido um affair entre ela e Oswald de Andrade que além da literatura e da pintura, era fascinado por dança. Oswald a teria conhecido num jantar no Rio e recebido um convite para que fosse vê-la em São Paulo. Ele relembra no volume biográfico Um Homem Sem Profissão: “Quem era eu, o menino que vivia das sopas de Cerqueira César, para afrontar de perto, sozinho e a horas mortas, o gênio andejo da mulher despida que levara o escândalo de seu espírito e o fascínio de sua carne às cinco partes do mundo?”. Apesar da insegurança, ele teria subido até o quarto no hotel onde a bailarina estava hospedada em São Paulo e se deparado com uma mesa posta para dois com um balde de champanhe no centro. Oswald conta poeticamente, em suas memórias, que os dois passeavam pela cidade de São Paulo e, “num pôr de sol entre árvores, ela dançou para mim, quase nua”.

O desastre que causou a morte de seus dois filhos por afogamento em 1913 e o suicídio de seu ex-marido em 1925, a atormentaram até o fim de sua vida. Isadora teve ela mesma uma morte trágica em 1927 na cidade de Nice em Paris, logo depois de publicar seu livro autobiográfico “My Life”, quando em um passeio em seu carro conversível, morreu asfixiada pela sua longa echarpe que prendeu-se às rodas do veículo. Isadora partiu cedo, mas deixou seu estilo, seguido até hoje por muitas bailarinas em todo o mundo.

Em 1979 em Nova Iorque, foi criada em sua homenagem a Isadora Duncan Dance Foundation, que tem entre suas missões, desenvolver projetos educacionais de alcance para as futuras gerações de bailarinos, através da implementação em diversas comunidades carentes, para que se desenvolva a valorização cultural, a confiança e o incentivo a auto expressão.





  • BALÉ CONTEMPORÂNEO
O Ballet Contemporâneo se utiliza da base do Clássico muitas vezes executando passos extremamente técnicos, mas também trabalham no solo, utilizando este como uma extensão da coreografia. Se tornando assim, o solo, um Objeto Cênico na Composição Coreográfica.





Via de regra geral o Contemporâneo não se preocupa com os joelhos esticados e pontas de pés, dado isso que a maioria das apresentações se dão sem a sapatilha de ponta. Daí a diferença entre um e outro estilo. Muitas pessoas acham que a diferença esta somente nas sapatilhas, mais isso vai muito além pelo que podemos ver. As vezes também é usado sapatilhas de ponta nos espetáculos de Contemporâneo, por isso essa regra não é muito relevante.








Grupo Corpo - O Corpo


TEATRO - 8º ANO - 1º BIMESTRE

O GESTO NO TEATRO

Gesto é uma palavra que vem do latim lat. géstus,us' e significa movimento, atitude, gesto, gesticulação, esgar, visagem, careta. É uma ação corporal visível e voluntária, pela qual um determinado significado é transmitido.

O gesto é uma forma de comunicação não-verbal de um indivíduo que possuiu uma grande expressividade permitindo expressar uma variedade de sentimentos e pensamentos. É feito com uma ou mais partes do corpo, às vezes usando o corpo inteiro, mãos, braços e expressões fisionômicas. Acontece sem ou com a combinação de uma comunicação verbal podendo dar mais força à fala, ou mesmo substituí-la.

"O homem é um ser em movimento e, ao mover-se, põe em funcionamento formas de expressão completas e complexas. [...]. A expressão gestual serve tanto a intenção cognitiva, expressiva ou descritiva, quanto a referências de ordem afetiva."(Rector & Trinta, 1993, p. 21)


http://psicolinguistica.letras.ufmg.br/wiki/index.php/Gesto


Sistema Stanislavski

O sistema surgiu como resultado das dúvidas que o jovem Stanislavski tinha em relação ao trabalho apresentado por grandes actores do seu tempo, e a quem admirava, como Maria Yermolova e Tommaso Salvini. Esses atores pareciam operar num padrão distinto de todos os demais e, ainda assim, pareciam estar subordinados a momentos de inspiração, quando atuavam, ao passo que em outras seus desempenhos pareciam apenas razoáveis ou meramente precisos.

Stanislavski considerava a atuação de Yermolova como o ápice da arte cênica. Então, passou sua vida a sistematizar um conjunto de regras, diretrizes e exercícios que pudessem dar a qualquer ator o "instrumento" com o qual pudesse atuar de forma melhor possível, além de conseguir o total controle físico sobre si mesmo.


Constantin Stanislavski chegou à conclusão de que o ator deve parecer o mais possível com a vida real. Quando papel e ator estão conectados, o papel ganha vida - e o que se faz necessário é constituir uma técnica capaz de possibilitar que isto sempre ocorra. Para tanto, ensinava que: Esqueça de tudo, deixe fluir, mas lembrem-se: isto pode acontecer algumas vezes em sua carreira, ou mesmo nunca. O que existe é técnica. Todo o resto depende da forma (particular) com que você atua. Isso certamente depende de como o actor se aproxima do seu papel, do quanto "ama" o seu papel.

Embora Stanislavski não tenha sido o primeiro em sistematizar a forma de atuação (a Era Vitoriana foi profícua em livros para atores), foi sem dúvida o primeiro a relacionar à arte sua significação psicológica - na verdade começou a fazê-lo antes mesmo de a psicologia ser melhor compreendida e formalizada como ciência. Desde sua criação, seu sistema influenciou profundamente a arte teatral, e seu criador nunca abandonou a visão sobre o desempenho realístico junto ao amor pela arte.

O Sistema consiste num método complexo para produzir a atuação realística; a maioria dos bons atores atuais (quer do teatro, cinema ou televisão) devem a este aprendizado parte do sucesso que alcançam. Usando o Sistema, uma actor é levado a proceder a uma profunda análise de si mesmo, bem como ao conhecimento do seu personagem. O actor é levado a descobrir os objetivos do personagem a cada cena, dentro do objetivo-geral da peça inteira.

Uma forma de se conseguir isto era o "segredo" de Stanislavski. Exigia que os actores fizessem inúmeras perguntas sobre seu personagem. Por exemplo, uma das primeiras perguntas que o actor deve fazer, antes de atuar, é: O que eu faria, se estivesse na mesma situação que o meu personagem?





JOGOS TEATRAIS

Spolin (2007, apud SANTOS e FARIA, 2010, p. 5-6) pontua vários tipos de jogos que podem contribuir para a aprendizagem, pois ajudam a desenvolver habilidades de forma mais descontraída, permitindo a interação de todos. Vejamos alguns tipos de jogos que podem ser utilizados facilmente no ambiente escolar, conforme descritos a seguir:

Jogos de aquecimento: o aquecimento é necessário antes das oficinas, como também são úteis ao final de oficinas de baixa energia para revigorar os jogadores. Os jogos de aquecimento focam a interação do grupo.

Jogos de movimentos: esses jogos permitem a exploração do ambiente, a liberação de gestos e de energia. Com isso a liberação do pensamento e das ideias ocorre pela necessidade de criar movimentos e gestos. “As caminhadas no espaço estendem esta exploração, dando aos alunos a chance de se movimentar e explorar o espaço familiar da sala de aula, proporcionando um novo imediatismo ao espaço.” Spolin (2007, apud SANTOS e FARIA, 2010, p. 5).

Jogos de transformação: esses jogos tornam o invisível visível. Os jogadores devem criar os objetos, coisas ou personagens e jogar com eles, de maneira criativa e de improviso, porém com bastantes detalhes para que a plateia identifique em seus gestos ou ações do que se trata aquele jogo. Com isso, tanto os jogadores como a plateia experimentam o despertar do intuitivo “Quando o invisível se torna visível, temos a magia teatral!” Spolin (2007, apud SANTOS e FARIA, 2010, p. 5).

Jogos sensoriais: sugerem uma nova consciência sensorial e a concentração a fim de compreender claramente o que ouve, pois pode ser pedido a um jogador, que o demonstre através de ações, gestos, desenhos, textos o que ouviu, sem que tenha tempo para pensar nele.

Jogos com parte de um todo: quando o jogador entende que é uma parte de um todo, torna-se responsável pela resolução daquele problema, apoiando o outro e partilhando suas respostas. “Um jogador com corpo, mente e intuição em uníssono, com alto nível de energia pessoal, conecta-se com os parceiros no esforço de quebrar limitações.” Spolin (2007, apud SANTOS e FARIA, 2010, p. 6).

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/42592/arte-na-educacao-jogos-teatrais#ixzz3fK3Vqd42


ATIVIDADES

Com base no verbo "empurrar, crie com os alunos diferentes situações de experimentação corporal que envolvam a noção de energia, de esforço, de graus de força física.

* O que estou empurrando?
  • Exploração individual: empurrar objetos de tamanhos, formas, pesos diferentes (mesa, cadeira, cesto de lixo, caixa com livros); empurrá-los devagar, fazendo-os deslizar regularmente, intempestivamente, acelerando, afrouxando, controlando a energia utilizada; empurrá-los à frente com os dois braços (dobrados, esticados), só com uma mão, com um ombro, com um joelho, com as costas, etc.; empurrá-los em linha reta, em zigue-zague, seguindo um desenho no chão, subindo um plano inclinado;
  • exploração em dupla: empurrar os objetos juntos, na mesma direção, com o mesmo ritmo, mudando de ponto de apoio (um em cima, outro em baixo; um à direita, outro à esquerda), variando e combinando as posições do corpo, os jogos das pernas, dos braços, as flexões dos joelhos, as torções, os equilíbrios;
  • exploração do real ao imaginário (individual ou em dupla): empurrar uma caixa muito leve (caixa real, de sapato, por exemplo), como se fosse muito pesada (imaginário); empurrar uma cadeira (real), como se fosse um cavalo (ou um elefante, uma vaca) que não quisesse andar (imaginário); empurrar uma mesa (real), como se fosse um carro atolado (imaginário).
Cada uma dessas situações pode ser explorada, também, com os verbos "puxar" e "trazer".


LINGUAGENS ARTÍSTICAS- 8º ANO

 NOVOS CONCEITOS NAS ARTES VISUAIS

As Artes Visuais envolvem diversos recursos e formas de expressão. Por meio de desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e colagens, utilizando papel, tinta, gesso, argila, madeira e metais, filmadoras, máquinas fotográficas, programas de computador e outras ferramentas tecnológicas, o artista busca representar o mundo real ou o seu imaginário. 

Novas formas de arte são introduzidas a partir dos anos 1960, fazendo com que a nossa visão de arte se ampliasse nas possibilidades de criação e expressão.

1- Instalação

Uma instalação (krafts) é uma manifestação artística contemporânea composta por elementos organizados em um ambiente. Ela pode ter um caráter efêmero (só "existir" na hora da exposição) ou pode ser desmontada e recriada em outro local. Diferentemente do que ocorre tradicionalmente com as esculturas ou pinturas, a mão do artista não está presente na obra como um item notável.

Uma instalação pode ser multimídia e provocar sensações: táteis, térmicas, odoríficas, auditivas, visuais entre outras.

O termo instalação foi incorporado ao vocabulário das artes visuais na década de 1960. No início do século XXI a instalação mantém-se como um gênero importante e muito difundido. Em virtude da sua flexibilidade e variedade, a sua conceituação tornou-se mais geral do que específica. Desde a década 1980, a voga da instalação leva ao uso e abuso desse gênero de arte em todo o mundo, o que torna impossível cobrir a produção recente.

Exemplos de instalações:
Sakir Gökçebag - Holanda


Sakir Gökçebag


Instalação em Melbourne, Austrália

Obra está exposta no Museu Nacional de Cingapura. (Foto:Reuters)

Thomas Hirschhorn (Berna,1957)



Escultura em Camadas - Instalação

Guto Lacaz - Auditório para Questões Delicadas (1989)












Elida Tessler - Você me dá sua palavra? (2004)

"Você me Dá a Sua Palavra?" conta com 5.316 prendedores de roupa
manuscritos por diversas pessoas









2- Performance

A palavra performance foi emprestada do inglês à língua portuguesa recentemente e pode ser considerada uma forma de estrangeirismo. A expressão é utilizada com maior frequência no campo artístico. Geralmente, serve para análises de apresentações como malabarismo, mímica, mágica, teatro, canto e dança, em referência aos performers. Nos EUA, durante o século XX, há o surgimento de um gênero de arte chamado Performance Art, resultante da síntese do teatro, cinema, dança, poesia, música e artes plásticas.

Ainda no campo das artes, as performances são divididas da seguinte forma: musicais (concerto e recital) e teatrais (teatro musical, dança moderna, ballet, operetta, ópera e teatro). Ainda podem ser caracterizadas como mágica, leitura de poesia, arte viva, performance arte, apresentações circenses e leituras de histórias.

No Brasil, o pioneiro a realizar performances foi Flávio de Carvalho, representante do Movimento Modernista interessado pelo experimental. Uma de suas performances mais polêmicas foi quando começou a andar no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi. Na ocasião, ele vestia uma boina verde e uma blusa de manga curta. Sua ação perturbou os integrantes da procissão, que quase o lincharam. O artista acabou na delegacia pelo episódio.

Outra de suas apresentações ocorreu no centro histórico da cidade de São Paulo. Flávio de Carvalho saiu de seu ateliê e começou a caminhar pelas ruas da região central com uma saia verde, uma meia arrastão, blusa de mangas curtas e sandálias de couro. Com isso, queria mostrar que esta seria a forma mais adequada de se vestir no Brasil, país com clima tropical. Além disso, era uma forma do artista criticar a moda que vinha da Europa, onde o clima é frio.

Existem casos em que a performance arte é extrema. Chris Burden, artista norteamericano, chegou a rastejar por um piso lotado de cacos de vidro, foi crucificado em cima de um automóvel e levou tiros em suas apresentações.

Exemplos de performances:

Tony Orrico - Spirograph

Festival Internacional de Arte Performance

Desvio Coletivo - Cegos

Andrey Bartenev



Michel Groisman - Transferência (1999)








3- Objeto

Se levarmos em conta a origem da palavra arte ("ars" significa técnica ou habilidade), é curioso notar que há uma contradição: muitos artistas não expressam suas idéias através de uma habilidade técnica. Apesar de, muitas vezes, possuírem tais habilidades, estão preocupados em discutir outras questões, provocar outras reflexões.

Em 1913, momento das vanguardas européias, Marcel Duchamp propôs obras chamadas "ready-made", feitas a partir de objetos do dia-a-dia. O que ele fazia era apresentar esses objetos de forma descontextualizada e sem a possibilidade de serem utilizados. Por exemplo: um mictório no meio de uma sala, sem encanamento.
Roda de Bicicleta - 1913

A Fonte - 1917


Com essa "provocação", Duchamp chamou a atenção para a arte produzida naquele momento. Ela não seria mais uma representação do real, como um retrato. Ela seria a própria realidade.

Quem decide o que é obra de arte
O objeto de arte não representa algo, mas ele é algo. Mesmo se o artista não tiver fabricado os elementos que compõem sua obra. Duchamp também questionava o conceito de arte como associado a um ideal de belo e à crítica de arte.

Exemplos de arte objeto:
Salvador Dali

Meret Oppenheim

Arman